por
Lingopass
21.5.2024

Energia sustentável: a revolução do Biogás no Brasil

O mercado de biometano no Brasil tem um potencial de crescimento considerável. A Associação Brasileira de Biogás (ABIOGAS) projeta que a produção de biometano atingirá 2,2 bilhões de m³/dia em 2027, com a maior parte desse volume vindo de 27 novas plantas de biogás planejadas. Cerca de 60% desse volume será gerado a partir de aterros sanitários. Esse biogás deve ser direcionado principalmente para o setor de transportes e indústrias, com uma significativa relevância na venda interestadual. Apesar das imensas oportunidades que o mercado pode trazer para a economia do país, a indústria enfrenta vários desafios e conta com players estratégicos que desempenham papéis cruciais no desenvolvimento desse setor.

O papel da regulamentação para o desenvolvimento da indústria de biometano

Um dos principais desafios enfrentados pela indústria de biometano é a regulamentação. O apoio regulatório é essencial para atrair investimentos, promover a pesquisa e desenvolvimento, e, consequentemente, acelerar a adoção e expansão do biometano como uma fonte de energia sustentável no país. Sem uma estrutura regulatória adequada, os investidores hesitam em apostar no setor, o que retarda o crescimento e a inovação. Para superar esse desafio, é necessário que o governo implemente políticas claras e favoráveis, além de oferecer incentivos fiscais e financeiros. A harmonização das normas regulatórias entre os estados também pode facilitar o desenvolvimento do setor. No Brasil, várias políticas públicas, como o RenovaBio (2017) e os programas Zero Metano (2021) e Combustível para o Futuro (2022), impulsionaram a cadeia produtiva do biometano. 

O desenvolvimento das políticas públicas de sustentabilidade energética no Brasil começou com o compromisso internacional do país em combater as mudanças climáticas, especialmente após a assinatura do Acordo de Paris em 2015. Inspirado por iniciativas internacionais como o Renewable Fuel Standard (RFS) dos EUA e a Renewable Energy Directive (RED) da União Europeia, o Brasil instituiu o RenovaBio em 2017. Enquanto o RFS e a RED promovem o uso de biocombustíveis e energias renováveis, o RenovaBio se destaca ao focar na eficiência ambiental e energética dos biocombustíveis produzidos. Uma de suas principais inovações é a criação dos Créditos de Descarbonização (CBIOs), que são certificados emitidos pelos produtores de biocombustíveis com base na redução das emissões de CO2. Esses créditos podem ser comprados por distribuidores de combustíveis fósseis para cumprir metas de redução de emissões, incentivando financeiramente os produtores a adotar práticas mais sustentáveis, promovendo uma redução significativa das emissões de gases de efeito estufa e alinhando-se com os compromissos climáticos globais do Brasil.

Em 2021, o Brasil lançou o programa Zero Metano, focado na redução das emissões de metano, um potente gás de efeito estufa. O programa visa capturar e utilizar o metano gerado em aterros sanitários, agricultura e resíduos industriais, transformando-o em biogás e biometano. Essa iniciativa complementa o RenovaBio ao promover a produção e utilização de biogás e biometano, fortalecendo ainda mais o mercado de biocombustíveis no Brasil. A captura do metano não só contribui para a redução das emissões de gases de efeito estufa, mas também cria novas oportunidades econômicas através da produção de energia renovável.

Em 2022, em resposta a crises internacionais e à necessidade de reduzir a dependência de combustíveis fósseis, o Brasil lançou o programa Combustível para o Futuro. Este programa incentiva o desenvolvimento e o uso de combustíveis alternativos e sustentáveis, promovendo a pesquisa e adoção de novas tecnologias para a produção de combustíveis mais limpos. Ao complementar o RenovaBio, o programa Combustível para o Futuro reforça o mercado de biocombustíveis e outras tecnologias limpas, criando um ecossistema robusto de políticas públicas que promovem a sustentabilidade energética e a redução das emissões de gases de efeito estufa no Brasil. Juntas, essas iniciativas demonstram o compromisso do Brasil em liderar a transição para uma matriz energética mais sustentável e em cumprir seus compromissos internacionais de combate às mudanças climáticas.

Energia sustentável: a revolução do Biogás no Brasil

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21.5.2024
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7 minutos

O mercado de biometano no Brasil tem um potencial de crescimento considerável. A Associação Brasileira de Biogás (ABIOGAS) projeta que a produção de biometano atingirá 2,2 bilhões de m³/dia em 2027, com a maior parte desse volume vindo de 27 novas plantas de biogás planejadas. Cerca de 60% desse volume será gerado a partir de aterros sanitários. Esse biogás deve ser direcionado principalmente para o setor de transportes e indústrias, com uma significativa relevância na venda interestadual. Apesar das imensas oportunidades que o mercado pode trazer para a economia do país, a indústria enfrenta vários desafios e conta com players estratégicos que desempenham papéis cruciais no desenvolvimento desse setor.

O papel da regulamentação para o desenvolvimento da indústria de biometano

Um dos principais desafios enfrentados pela indústria de biometano é a regulamentação. O apoio regulatório é essencial para atrair investimentos, promover a pesquisa e desenvolvimento, e, consequentemente, acelerar a adoção e expansão do biometano como uma fonte de energia sustentável no país. Sem uma estrutura regulatória adequada, os investidores hesitam em apostar no setor, o que retarda o crescimento e a inovação. Para superar esse desafio, é necessário que o governo implemente políticas claras e favoráveis, além de oferecer incentivos fiscais e financeiros. A harmonização das normas regulatórias entre os estados também pode facilitar o desenvolvimento do setor. No Brasil, várias políticas públicas, como o RenovaBio (2017) e os programas Zero Metano (2021) e Combustível para o Futuro (2022), impulsionaram a cadeia produtiva do biometano. 

O desenvolvimento das políticas públicas de sustentabilidade energética no Brasil começou com o compromisso internacional do país em combater as mudanças climáticas, especialmente após a assinatura do Acordo de Paris em 2015. Inspirado por iniciativas internacionais como o Renewable Fuel Standard (RFS) dos EUA e a Renewable Energy Directive (RED) da União Europeia, o Brasil instituiu o RenovaBio em 2017. Enquanto o RFS e a RED promovem o uso de biocombustíveis e energias renováveis, o RenovaBio se destaca ao focar na eficiência ambiental e energética dos biocombustíveis produzidos. Uma de suas principais inovações é a criação dos Créditos de Descarbonização (CBIOs), que são certificados emitidos pelos produtores de biocombustíveis com base na redução das emissões de CO2. Esses créditos podem ser comprados por distribuidores de combustíveis fósseis para cumprir metas de redução de emissões, incentivando financeiramente os produtores a adotar práticas mais sustentáveis, promovendo uma redução significativa das emissões de gases de efeito estufa e alinhando-se com os compromissos climáticos globais do Brasil.

Em 2021, o Brasil lançou o programa Zero Metano, focado na redução das emissões de metano, um potente gás de efeito estufa. O programa visa capturar e utilizar o metano gerado em aterros sanitários, agricultura e resíduos industriais, transformando-o em biogás e biometano. Essa iniciativa complementa o RenovaBio ao promover a produção e utilização de biogás e biometano, fortalecendo ainda mais o mercado de biocombustíveis no Brasil. A captura do metano não só contribui para a redução das emissões de gases de efeito estufa, mas também cria novas oportunidades econômicas através da produção de energia renovável.

Em 2022, em resposta a crises internacionais e à necessidade de reduzir a dependência de combustíveis fósseis, o Brasil lançou o programa Combustível para o Futuro. Este programa incentiva o desenvolvimento e o uso de combustíveis alternativos e sustentáveis, promovendo a pesquisa e adoção de novas tecnologias para a produção de combustíveis mais limpos. Ao complementar o RenovaBio, o programa Combustível para o Futuro reforça o mercado de biocombustíveis e outras tecnologias limpas, criando um ecossistema robusto de políticas públicas que promovem a sustentabilidade energética e a redução das emissões de gases de efeito estufa no Brasil. Juntas, essas iniciativas demonstram o compromisso do Brasil em liderar a transição para uma matriz energética mais sustentável e em cumprir seus compromissos internacionais de combate às mudanças climáticas.

Biocombustíveis: oportunidades para o agronegócio e o setor de transportes

A produção descentralizada de biocombustíveis apresenta uma enorme oportunidade para o agronegócio, especialmente no interior do país. A criação de clusters (seja por substrato ou por produtores de biogás) tende a expandir a escala do projeto e, consequentemente, aumentar a viabilidade financeira de tais projetos. Essa abordagem é complexa, mas agrega alto valor à estratégia de produção descentralizada de biocombustíveis.

O setor de transportes é o principal mercado para o biometano, especialmente devido ao seu impacto na redução das emissões de gases de efeito estufa. O uso de biometano no transporte público valoriza o consumo e a produção descentralizados, já que o biocombustível pode ser produzido e consumido localmente. Por exemplo, o agronegócio poderia fornecer seu próprio combustível gerando-o a partir de seus resíduos orgânicos. Outro ponto favorável é a disponibilidade de créditos de descarbonização (CBIOs), para o biometano utilizado no setor de transportes.

Distribuição e conscientização: desafios da indústria de biometano no Brasil

Apesar das oportunidades, a falta de infraestrutura adequada para a coleta e transporte de biometano e a necessidade de maior conscientização sobre os benefícios do biogás entre consumidores e investidores continuam sendo barreiras a serem superadas.

A distribuição também representa um grande obstáculo. Os consumidores de gás natural geralmente estão localizados longe dos produtores de biometano. A dificuldade em encontrar alternativas viáveis para a distribuição do biometano afasta os tomadores de decisão dessa tecnologia. Entretanto, existe uma demanda significativa de energia próxima aos locais de produção de biometano, que ainda não consideram essa energia renovável como uma opção. 

A solução para esse problema inclui o desenvolvimento de uma infraestrutura de transporte eficiente, como gasodutos dedicados ao biometano, e o uso de tecnologias inovadoras, como a compressão e liquefação do gás para facilitar seu transporte. Parcerias público-privadas podem ser uma estratégia eficaz para financiar e implementar essas infraestruturas.

Aumentar a conscientização entre esses consumidores pode abrir importantes oportunidades de mercado perto das fontes de biogás e biometano. Para isso, é fundamental desenvolver campanhas de informação e educação que destacam os benefícios do biometano, tanto econômicos quanto ambientais. Realizar seminários, workshops, cursos e feiras de negócios pode ajudar a disseminar conhecimento e atrair novos investidores e consumidores. 

Além disso, mostrar casos de sucesso e compartilhar boas práticas de empresas que já utilizam o biometano pode inspirar outros a adotarem essa tecnologia. A participação ativa de associações de classe, como a Associação Brasileira de Biogás (ABIOGAS), também é crucial para promover o diálogo entre o setor privado, o governo e a sociedade.

Ao superar os desafios regulatórios e de distribuição, e com o suporte de políticas públicas robustas, o setor de biometano no Brasil está bem posicionado para um crescimento substancial, contribuindo significativamente para a matriz energética sustentável do país.

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