por
Johny
14.2.2021

Lingotalks: o inglês como oportunidade em carreiras de tecnologia

 

2020 foi um ano decisivo para a era tecnológica, que foi acelerada pela pandemia do coronavírus. Em uma época na qual empresas de tecnologia estão sendo o grande destaque na sociedade, os profissionais devem estar à altura de um mercado de trabalho exigente e competitivo. O inglês é uma das habilidades que destacam os colaboradores do ramo. 

Xavier Leclerc sentiu a importância do idioma em diversos níveis. O “carioca francês”, como se intitula, desembarcou no Brasil há seis anos. Hoje, é sócio fundador da MOX Digital, empresa focada em organização de eventos B2B sobre inovação, tecnologia e transformação digital. Além disso, é membro do conselho da Câmara de Comércio França-Brasil no Rio de Janeiro, do conselho da French Tech São Paulo, e co-fundador do Templo Ventures.

Em conversa com o IFESP, Leclerc explica sua trajetória na área, os desdobramentos dos idiomas no empreendedorismo e justifica a importância da língua inglesa para quem deseja seguir no ramo da tecnologia: 

 

Como os diversos idiomas influenciaram na carreira de tecnologia em geral?

Antes de me mudar para cá, eu trabalhei dez anos com uma empresa de tecnologia, principalmente americana. Trabalhei para o Google e para o Facebook na França. Então, desde cedo eu estudei e pratiquei muito o inglês, e o que eu percebi é que eu era um dos funcionários que falava melhor inglês.  

O que foi muito importante na minha carreira foi que eu sempre fui o ponto de contato com as pessoas fora da França. Eu trabalhava para essas empresas americanas, mas sempre com muitos contatos. As pessoas me utilizavam para fazer apresentações, para receber pessoas quando eles vinham de Paris, o que me colocou em posição de destaque. Também me permitiu fazer contatos diretos com alguns vice-presidentes e diretores. 

Isso teve um impacto muito claro na minha carreira. Para esses empregos eu precisava falar inglês. Era uma necessidade. O que me deu um pouco de chance foi essa proficiência no uso da língua inglesa. Agora, o espanhol eu estudei na escola, pratiquei um pouco, mas infelizmente eu nunca trabalhei falando espanhol. Ou seja, eu perdi bastante. Ainda mais agora, eu quase não falo mais espanhol porque quando eu cheguei no Brasil há seis anos eu não falava nada de português. 

Eu tive que fazer um esforço usando aulas na escola, tive uma professora particular e também alguns aplicativos para aprender portugues, o que foi necessário porque na Mox Digital eu palestro bastante. O bom da língua portuguesa, ainda mais quando você precisa explicar conceitos um pouco complicados - seja de tecnologia, seja de tendências de futuro - é que hoje em dia mesmo com um sotaque francês bem forte eu consigo exprimir todas as utilidades necessárias dos temas.

 

Você pensa que atualmente, para além do inglês, existe algum outro idioma chave para que as pessoas escolham no processo de aprendizagem de línguas estrangeiras?

Depende dos gostos e das necessidades de cada um, obviamente. Aprender uma língua é necessário. Eu morei na China. Eu tentei aprender chinês, o que se tornou um pesadelo porque é estranhamente complicado e, também, eu resolvi morar lá só nove meses, então não deu tempo. 

Além do trabalho de estudar, quando você pensa em uma língua, o que me ajudou bastante com o português, foi o meu gosto pela música brasileira. Então se você tiver um gosto pelo cinema francês ou pela ópera alemã, por exemplo, isso traz uma perspectiva bem interessante no aprendizado de uma língua porque você consegue se relacionar com ela para além da gramática, do vocabulário. 

Falando tudo isso, ler, assistir televisão, ouvir músicas, são formas muito boas para melhorar, para se apaixonar por uma língua e por uma cultura que está por trás daquele idioma.

 

Da sua experiência com startups e na área da tecnologia, de que maneira o networking feito com pessoas de diversas nacionalidades é capaz de revolucionar o empreendedorismo e o mercado de trabalho em geral?

Obviamente em startups é preciso falar inglês. Não tem outro jeito. Dito isso, nós temos algumas especificidades culturais. Ou seja, fazer negócio no Brasil sem falar português me parece extremamente complicado. Mais uma coisa: se você trabalhar em uma empresa francesa, ter pelo menos um nível básico de francês é necessário porque você consegue se relacionar de um outro jeito com as pessoas. 

Todos nós sabemos, seja no empreendedorismo ou no intra empreendedorismo, seja na sua carreira dentro de uma empresa, ter a possibilidade, mesmo que seja simples no começo, obviamente, mostra a sua vontade de integração. Então eu acho que isso seja um passo importante. Também, criar conexões culturais através da fala de um idioma me parece uma boa maneira de criar essas conexões interpessoais, para além das suas conexões profissionais. Então, obviamente, eu acho sim que isso seja muito relevante e faz uma grande diferença.


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