por
Lingopass
27.5.2024

5 tendências para o setor químico em 2024

O setor químico está atravessando um período de mudanças significativas, impulsionadas por uma confluência de fatores econômicos, tecnológicos e ambientais. À medida que nos aproximamos de 2024, é essencial entender as principais tendências que moldarão o futuro desse setor vital. Desde a transição energética até a digitalização e a economia circular, cada uma dessas tendências está redefinindo como as empresas operam e competem no mercado global. Este artigo examina detalhadamente cinco tendências principais que se espera que influenciem a indústria química em 2024, destacando os desafios e oportunidades que essas mudanças trazem. 

1. A transição energética

A transição energética está desempenhando um papel fundamental na transformação da indústria química, gerando uma demanda significativa por produtos e materiais essenciais para tecnologias de energia limpa. Nos últimos anos, políticas governamentais e incentivos financeiros têm impulsionado essa transição. Nos Estados Unidos, a Lei de Investimento em Infraestrutura e Empregos (IIJA), sancionada no final de 2021, destinou mais de US$ 70 bilhões para infraestrutura de veículos elétricos e transmissão de energia limpa. Além disso, a Lei de Redução da Inflação (IRA) e a Lei de Criação de Incentivos Úteis para a Produção de Semicondutores (CHIPS), aprovadas em 2022, injetaram US$ 469 bilhões em incentivos fiscais e financiamentos em setores como baterias de íon-lítio, painéis solares e semicondutores fabricados internamente.

Essas políticas não só estimularam a construção de novas fábricas e aumentaram a produção, mas também criaram uma demanda substancial por insumos químicos. Espera-se que em 2024 essa tendência continue, com mais de 100 novos projetos entrando em operação. A indústria química, responsável por mais de 75% de todas as tecnologias necessárias para atingir metas de emissões líquidas zero até 2050, deve ver um crescimento significativo na demanda por produtos como materiais de bateria para veículos elétricos, refrigerantes para bombas de calor, epóxi e poliuretano para turbinas eólicas, e solventes para semicondutores.

2. Competitividade e cadeias de suprimentos

Nos últimos anos, a competitividade regional na indústria química foi profundamente influenciada por fatores como preços de commodities, políticas governamentais e interrupções na cadeia de suprimentos. A volatilidade nos mercados de energia, particularmente no gás natural liquefeito (GNL), tem afetado a viabilidade de ativos em várias regiões. Enquanto os preços globais do GNL diminuíram em 2023 após recordes de alta em 2022, a volatilidade deve continuar. Nos Estados Unidos e no Oriente Médio, a produção química é beneficiada por fontes domésticas de gás natural relativamente baratas, enquanto a China pode se beneficiar de acordos comerciais com a Rússia e de volumes maiores de GNL em contratos de longo prazo.

As políticas relacionadas ao clima também estão moldando a competitividade regional. A Europa, por exemplo, adotou o Plano Industrial do Acordo Verde para combater os subsídios dos EUA e evitar a desindustrialização, além do Mecanismo de Ajuste Transfronteiriço de Carbono (CBAM) que visa nivelar o campo de atuação entre produtores europeus e estrangeiros, ao colocar um preço no carbono de produtos com uso intensivo de carbono. Essas mudanças políticas devem influenciar significativamente a dinâmica do mercado até 2026.

Em termos de cadeias de suprimentos, a pandemia da COVID-19 e a guerra entre a Rússia e a Ucrânia destacaram a necessidade de maior resiliência. O onshoring, nearshoring e friendshoring estão ganhando força, incentivando a localização das cadeias de suprimentos para reduzir riscos geopolíticos e emissões de transporte. Em 2024, espera-se que essas estratégias continuem a evoluir, com empresas químicas ajustando suas operações para se adaptarem a um ambiente de mercado mais desafiador e incerto.

Além disso, para fortalecer a competitividade, é crucial que as empresas invistam no desenvolvimento de suas equipes, incluindo a implementação de programas de idiomas. A fluência em múltiplos idiomas permite uma melhor comunicação com fornecedores e clientes globais, facilita a adaptação a diferentes mercados regionais e melhora a eficiência na gestão de operações internacionais.

5 tendências para o setor químico em 2024

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Lingopass
27.5.2024
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6 minutos

O setor químico está atravessando um período de mudanças significativas, impulsionadas por uma confluência de fatores econômicos, tecnológicos e ambientais. À medida que nos aproximamos de 2024, é essencial entender as principais tendências que moldarão o futuro desse setor vital. Desde a transição energética até a digitalização e a economia circular, cada uma dessas tendências está redefinindo como as empresas operam e competem no mercado global. Este artigo examina detalhadamente cinco tendências principais que se espera que influenciem a indústria química em 2024, destacando os desafios e oportunidades que essas mudanças trazem. 

1. A transição energética

A transição energética está desempenhando um papel fundamental na transformação da indústria química, gerando uma demanda significativa por produtos e materiais essenciais para tecnologias de energia limpa. Nos últimos anos, políticas governamentais e incentivos financeiros têm impulsionado essa transição. Nos Estados Unidos, a Lei de Investimento em Infraestrutura e Empregos (IIJA), sancionada no final de 2021, destinou mais de US$ 70 bilhões para infraestrutura de veículos elétricos e transmissão de energia limpa. Além disso, a Lei de Redução da Inflação (IRA) e a Lei de Criação de Incentivos Úteis para a Produção de Semicondutores (CHIPS), aprovadas em 2022, injetaram US$ 469 bilhões em incentivos fiscais e financiamentos em setores como baterias de íon-lítio, painéis solares e semicondutores fabricados internamente.

Essas políticas não só estimularam a construção de novas fábricas e aumentaram a produção, mas também criaram uma demanda substancial por insumos químicos. Espera-se que em 2024 essa tendência continue, com mais de 100 novos projetos entrando em operação. A indústria química, responsável por mais de 75% de todas as tecnologias necessárias para atingir metas de emissões líquidas zero até 2050, deve ver um crescimento significativo na demanda por produtos como materiais de bateria para veículos elétricos, refrigerantes para bombas de calor, epóxi e poliuretano para turbinas eólicas, e solventes para semicondutores.

2. Competitividade e cadeias de suprimentos

Nos últimos anos, a competitividade regional na indústria química foi profundamente influenciada por fatores como preços de commodities, políticas governamentais e interrupções na cadeia de suprimentos. A volatilidade nos mercados de energia, particularmente no gás natural liquefeito (GNL), tem afetado a viabilidade de ativos em várias regiões. Enquanto os preços globais do GNL diminuíram em 2023 após recordes de alta em 2022, a volatilidade deve continuar. Nos Estados Unidos e no Oriente Médio, a produção química é beneficiada por fontes domésticas de gás natural relativamente baratas, enquanto a China pode se beneficiar de acordos comerciais com a Rússia e de volumes maiores de GNL em contratos de longo prazo.

As políticas relacionadas ao clima também estão moldando a competitividade regional. A Europa, por exemplo, adotou o Plano Industrial do Acordo Verde para combater os subsídios dos EUA e evitar a desindustrialização, além do Mecanismo de Ajuste Transfronteiriço de Carbono (CBAM) que visa nivelar o campo de atuação entre produtores europeus e estrangeiros, ao colocar um preço no carbono de produtos com uso intensivo de carbono. Essas mudanças políticas devem influenciar significativamente a dinâmica do mercado até 2026.

Em termos de cadeias de suprimentos, a pandemia da COVID-19 e a guerra entre a Rússia e a Ucrânia destacaram a necessidade de maior resiliência. O onshoring, nearshoring e friendshoring estão ganhando força, incentivando a localização das cadeias de suprimentos para reduzir riscos geopolíticos e emissões de transporte. Em 2024, espera-se que essas estratégias continuem a evoluir, com empresas químicas ajustando suas operações para se adaptarem a um ambiente de mercado mais desafiador e incerto.

Além disso, para fortalecer a competitividade, é crucial que as empresas invistam no desenvolvimento de suas equipes, incluindo a implementação de programas de idiomas. A fluência em múltiplos idiomas permite uma melhor comunicação com fornecedores e clientes globais, facilita a adaptação a diferentes mercados regionais e melhora a eficiência na gestão de operações internacionais.

3. Inteligência digital e artificial: Dados como matéria-prima

A digitalização e a adoção de tecnologias de inteligência artificial (IA) estão se tornando cada vez mais cruciais para a inovação e eficiência operacional na indústria química. A digitalização tem sido uma tendência crescente há décadas, mas só recentemente alcançou um ponto de aceleração que torna imperativo para as empresas serem digitais para manter uma vantagem competitiva. As empresas estão se movendo além de casos de uso específicos em silos para uma abordagem ampla de digitalização que integra sistemas em operações e negócios.

Em 2023, os investimentos digitais no setor químico caíram ligeiramente devido a uma economia americana mais lenta e às altas taxas de juros. No entanto, 94% dos líderes do setor pesquisados pela Deloitte afirmaram que a IA será fundamental para o sucesso de suas organizações nos próximos cinco anos. Espera-se que essa queda seja de curta duração, com investimentos em IA crescendo em 2024. A IA está sendo utilizada para acelerar a pesquisa e desenvolvimento (P&D) de produtos sustentáveis, prever o impacto das mudanças na produção e obter insights através do rastreamento de dados em toda a cadeia de valor.

A ascensão da IA está permitindo a criação de modelos preditivos que ajudam a otimizar operações e antecipar a manutenção. Empresas químicas avançadas no modelo de maturidade digital estão usando a IA em todas as linhas de negócios para acelerar a descoberta de materiais, reduzir o tempo de comercialização e otimizar operações. Em 2024, a digitalização deverá continuar a transformar o setor químico, impulsionando a produtividade, a inovação e a competitividade.

4. Economia circular: Sustentabilidade e reciclagem

O compromisso com a economia circular está ganhando força, com investimentos crescentes em reciclagem de plásticos e baterias de íon-lítio. As empresas estão buscando minimizar o desperdício e reduzir as emissões de escopo 3, atendendo simultaneamente às metas de sustentabilidade. As metas de marcas para usar mais conteúdo reciclado e a introdução de políticas governamentais que restringem o uso de plásticos de uso único estão incentivando esses investimentos.

A reciclagem mecânica, embora produzindo menos emissões de gases de efeito estufa, enfrenta limitações devido à necessidade de tipos específicos de plásticos e baixos níveis de contaminação. Isso levou a um aumento nos anúncios de projetos de reciclagem avançada para reduzir o plástico que vai para aterros sanitários. Espera-se que a capacidade de reciclagem avançada mais do que triplique entre 2023 e 2026, caso todos os projetos anunciados sejam concluídos.

A reciclagem de baterias de íon-lítio também está em crescimento, impulsionada por políticas como a IRA, que qualifica as baterias recicladas nos Estados Unidos para subsídios de fabricação nacional. Isso está estimulando inovação e investimento, com expectativa de aumento significativo na reciclagem de baterias à medida que os volumes de baterias de veículos elétricos em fim de vida cresçam na próxima década.

5. Sustentabilidade e confiança: Transparência e colaboração

A confiança e a transparência estão se tornando diferenciais competitivos cruciais para as empresas químicas. Em 2023, a descoberta de substâncias per e polifluoroalquil (PFAS) na água da torneira dos Estados Unidos levantou preocupações sobre a segurança e o impacto ambiental dos produtos químicos. Esse escrutínio está impulsionando as empresas a serem mais transparentes e a colaborar mais estreitamente com stakeholders para construir confiança.

Tecnologias como blockchain estão sendo usadas para rastrear a origem de ingredientes e emissões, aumentando a transparência e a responsabilidade. Empresas que conseguem demonstrar essa transparência e colaboração tendem a construir uma lealdade mais forte entre clientes e funcionários. A confiança na marca, baseada em fatores como confiabilidade, capacidade, transparência e humanidade, pode melhorar significativamente o desempenho de mercado das empresas.

O setor químico está em uma fase de transformação significativa, impulsionada por tendências como a transição energética, mudanças na competitividade regional, avanços digitais, compromisso com a economia circular e a crescente importância da transparência e confiança. Em 2024, empresas que se adaptarem a essas tendências estarão bem posicionadas para prosperar em um mercado cada vez mais complexo e competitivo. A capacidade de inovar, otimizar operações e construir confiança será crucial para o sucesso no cenário dinâmico do setor químico.

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