por
Lingopass
31.1.2024

Clean Label no setor de alimentos e bebidas: O que ela realmente significa para os consumidores?

Atualmente, Clean Label significa muito mais do que uma pequena lista de ingredientes alimentares; ele é relevante não apenas para a saúde, mas também para a transparência.

Ser transparente significa ser aberto e honesto sobre toda a cadeia de suprimento de alimentos e todos os ingredientes usados nos produtos. Isso se deve, principalmente, pelo crescente interesse em questões de sustentabilidade, conforme apontado pela pesquisa da Innova: 67% dos consumidores globais afirmam que se preocupam mais com a origem dos ingredientes do que há um ano, e 74% esperam que as empresas sejam transparentes sobre suas fontes de matéria-prima. 

O que significa Clean Label?

  • Remoção de aditivos indesejáveis ou prejudiciais à saúde.
  • Ênfase na transparência e nas informações sobre os ingredientes e sua origem.
  • Exigência de maior responsabilidade ambiental.

Para os consumidores, natural significa saudável e better-for-you.

No entanto, o conceito de "Clean Label" pode não ser amplamente reconhecido entre os consumidores. Conforme indicado pelo relatório global FMCG Gurus, apenas 41% estão familiarizados com essa terminologia no contexto de alimentos e bebidas. Mesmo que o termo não seja totalmente compreendido, muitas vezes é associado à ideia de naturalidade, indicando a ausência de aditivos ou conservantes, e à saúde.

Acredita-se que produtos com menos ingredientes ou alimentos com melhor valor nutricional se enquadrem na categoria de Clean Label, e, apesar da ambiguidade em torno do termo, 78% dos consumidores o consideram atraente quando recebem uma definição clara, o que tem levado a um aumento no mercado de produtos que afirmam ser feitos com "apenas três ingredientes".

É relevante destacar que nem todos os aditivos precisam ser eliminados dos produtos com rótulo limpo. O foco está em proporcionar aos consumidores informações transparentes e claras, incluindo as fontes desses aditivos. Muitos consumidores expressam preocupações em relação a ingredientes técnicos ou sintéticos, como números eletrônicos, mesmo que alguns deles ocorram naturalmente.

Para os compradores contemporâneos, a transparência das marcas e dos fabricantes - por meio de listas de ingredientes naturais, simples e claras - é vital.


Para além da saúde, uma escolha ecológica e simplificada.

A ascensão do Clean Label está intrinsecamente ligada à aversão dos consumidores aos ingredientes artificiais. Um terço dos consumidores globais considera os ingredientes naturais como um dos aspectos mais cruciais em alimentos e bebidas saudáveis, ficando apenas atrás do frescor. De acordo com a pesquisa da Tate & Lyle, 94% dos consumidores globais leem os rótulos dos produtos, preferindo bebidas sem ingredientes artificiais.

Dado que os consumidores podem ter dificuldade em discernir o que é artificial ou não natural, eles buscam produtos feitos com ingredientes reais, puros e familiares. A rotulagem limpa é frequentemente percebida como uma garantia de qualidade e saúde.

O interesse crescente dos consumidores por uma alimentação limpa e saudável também os conduziu a evitar alergênicos e ingredientes associados a intolerâncias, não apenas por razões médicas, mas também por escolhas de estilo de vida. Esse comportamento resultou no aumento das alegações de "livre de" nas embalagens, à medida que são vistas como uma opção alimentar mais saudável e limpa. A Mintel chama isso de um novo aspecto na tendência do Clean Label.

Clean Label em ascensão: A revolução no setor alimentício brasileiro

A tendência de consumir alimentos e bebidas saudáveis, seguros e sustentáveis, conhecida como Clean Label, está ganhando cada vez mais adeptos no Brasil. Este movimento é particularmente significativo em um setor que se destaca como um dos mais importantes da economia, com perspectivas de crescimento mesmo em períodos de crise.

Em 2021, a indústria alimentícia e de bebidas registrou um aumento de 16,9% no faturamento em comparação ao ano anterior, totalizando R$ 922,6 bilhões, o que representa 10,6% do PIB brasileiro, conforme dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos em fevereiro de 2022.

Clean Label no setor de alimentos e bebidas: O que ela realmente significa para os consumidores?

por
Lingopass
31.1.2024
Tempo de leitura:
7 minutos

Atualmente, Clean Label significa muito mais do que uma pequena lista de ingredientes alimentares; ele é relevante não apenas para a saúde, mas também para a transparência.

Ser transparente significa ser aberto e honesto sobre toda a cadeia de suprimento de alimentos e todos os ingredientes usados nos produtos. Isso se deve, principalmente, pelo crescente interesse em questões de sustentabilidade, conforme apontado pela pesquisa da Innova: 67% dos consumidores globais afirmam que se preocupam mais com a origem dos ingredientes do que há um ano, e 74% esperam que as empresas sejam transparentes sobre suas fontes de matéria-prima. 

O que significa Clean Label?

  • Remoção de aditivos indesejáveis ou prejudiciais à saúde.
  • Ênfase na transparência e nas informações sobre os ingredientes e sua origem.
  • Exigência de maior responsabilidade ambiental.

Para os consumidores, natural significa saudável e better-for-you.

No entanto, o conceito de "Clean Label" pode não ser amplamente reconhecido entre os consumidores. Conforme indicado pelo relatório global FMCG Gurus, apenas 41% estão familiarizados com essa terminologia no contexto de alimentos e bebidas. Mesmo que o termo não seja totalmente compreendido, muitas vezes é associado à ideia de naturalidade, indicando a ausência de aditivos ou conservantes, e à saúde.

Acredita-se que produtos com menos ingredientes ou alimentos com melhor valor nutricional se enquadrem na categoria de Clean Label, e, apesar da ambiguidade em torno do termo, 78% dos consumidores o consideram atraente quando recebem uma definição clara, o que tem levado a um aumento no mercado de produtos que afirmam ser feitos com "apenas três ingredientes".

É relevante destacar que nem todos os aditivos precisam ser eliminados dos produtos com rótulo limpo. O foco está em proporcionar aos consumidores informações transparentes e claras, incluindo as fontes desses aditivos. Muitos consumidores expressam preocupações em relação a ingredientes técnicos ou sintéticos, como números eletrônicos, mesmo que alguns deles ocorram naturalmente.

Para os compradores contemporâneos, a transparência das marcas e dos fabricantes - por meio de listas de ingredientes naturais, simples e claras - é vital.


Para além da saúde, uma escolha ecológica e simplificada.

A ascensão do Clean Label está intrinsecamente ligada à aversão dos consumidores aos ingredientes artificiais. Um terço dos consumidores globais considera os ingredientes naturais como um dos aspectos mais cruciais em alimentos e bebidas saudáveis, ficando apenas atrás do frescor. De acordo com a pesquisa da Tate & Lyle, 94% dos consumidores globais leem os rótulos dos produtos, preferindo bebidas sem ingredientes artificiais.

Dado que os consumidores podem ter dificuldade em discernir o que é artificial ou não natural, eles buscam produtos feitos com ingredientes reais, puros e familiares. A rotulagem limpa é frequentemente percebida como uma garantia de qualidade e saúde.

O interesse crescente dos consumidores por uma alimentação limpa e saudável também os conduziu a evitar alergênicos e ingredientes associados a intolerâncias, não apenas por razões médicas, mas também por escolhas de estilo de vida. Esse comportamento resultou no aumento das alegações de "livre de" nas embalagens, à medida que são vistas como uma opção alimentar mais saudável e limpa. A Mintel chama isso de um novo aspecto na tendência do Clean Label.

Clean Label em ascensão: A revolução no setor alimentício brasileiro

A tendência de consumir alimentos e bebidas saudáveis, seguros e sustentáveis, conhecida como Clean Label, está ganhando cada vez mais adeptos no Brasil. Este movimento é particularmente significativo em um setor que se destaca como um dos mais importantes da economia, com perspectivas de crescimento mesmo em períodos de crise.

Em 2021, a indústria alimentícia e de bebidas registrou um aumento de 16,9% no faturamento em comparação ao ano anterior, totalizando R$ 922,6 bilhões, o que representa 10,6% do PIB brasileiro, conforme dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos em fevereiro de 2022.

Dentro desse cenário expansivo, destaca-se o aumento da demanda por produtos mais saudáveis, como os de baixa caloria, sem glúten, vegetarianos, com menos açúcar ou sem gordura saturada. Esse nicho de consumidores está em ascensão, criando inúmeras oportunidades de negócios.

Um levantamento realizado pela Organis revelou um crescimento de 30% no mercado de orgânicos em 2020, atingindo R$ 5,8 bilhões em movimentação. Uma pesquisa mais recente, indicou que 31% dos brasileiros consomem produtos orgânicos, sendo a principal motivação (73%) a busca por melhorias na saúde.

O notável aumento no faturamento e a demanda por produtos sustentáveis sinalizam uma mudança significativa no padrão de consumo nacional.

Consumidores dispostos a pagar mais

Segundo a Pesquisa de Saúde e Nutrição da Innova em 2022, aproximadamente 2 em cada 3 consumidores afirmam que as informações presentes nos rótulos limpos impactam suas decisões de compra. Além disso, o estudo revela que quase metade dos consumidores ao redor do mundo está disposta a desembolsar mais por produtos com rótulos limpos, com uma inclinação ainda maior entre os consumidores asiáticos.

Uma descoberta notável, especialmente em meio a desafios econômicos, surge do recente estudo da Ingredion. Apesar da inflação, 78% dos consumidores globais expressam disposição para pagar um preço superior por produtos com rótulos limpos, caracterizados por ingredientes naturais, orgânicos ou não artificiais.

É crucial destacar que a comunicação eficaz dos principais benefícios do produto, de maneira clara e compreensível, é fundamental. Essa abordagem é essencial para garantir que o consumidor perceba o valor do produto, mesmo diante das condições econômicas desafiadoras.

Empresas como A Tal da Castanha, Fazenda do Futuro e Amazonika Mundi se destacam ao adotarem essa prática. Priorizando ingredientes naturais e eliminando conservantes, elas experimentaram notável sucesso financeiro. O faturamento da Tal da Castanha saltou de R$ 27 milhões para R$ 45 milhões em 2020, enquanto a Fazenda do Futuro, avaliada em R$ 2,2 bilhões, recebeu um aporte de 300 milhões.

Não podemos esquecer a Amazonika Mundi, que se destaca ao usar a fibra do caju na produção de carne vegetal, livre de glúten, lactose, conservantes ou organismos geneticamente modificados. Essas empresas ilustram como o movimento clean label se tornou um diferencial competitivo sólido no mercado de alimentos, atendendo à crescente demanda dos consumidores por opções alinhadas à busca por uma "comida de verdade".

Em um cenário alimentício em constante evolução, a simplicidade no rótulo transcende a mera estética; ela se torna uma poderosa declaração de valores. O movimento Clean Label, impulsionado pela eliminação de aditivos artificiais, corantes e conservantes, não é apenas uma mudança nas práticas de produção, mas uma transformação na maneira como percebemos e nos relacionamos com os alimentos que consumimos.

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